sexta-feira, 29 de abril de 2011

Chula

A chula é uma dança e tipo de canção de origem portuguesa, já referida em fins do século XVII. Como dança, sua existência no Brasil está documentada pelo menos desde o princípio do século XIX.
Os autores vêem-na ora como dança singular, ora como música destinada a várias danças populares. Quando é dança singular, o único dançarino tira aquele que o substitui, e assim sucessivamente, até que chega a vez do tocador, quando termina a dança.

A chula se liga entre nós à noção de dança violenta, lasciva, sapateada, requebrada, acompanhada de palmas, e em que costuma aparecer também a a umbigada.

A chula-dança mantém-se no Rio grande do Sul, executada preferencialmente por homens, numa coreografia agitada e difícil. Na Bahia, chula designa genericamente as toadas alegres e vivas e se canta, como refrão, em ternos e ranchos-de-reis.

Como o lundu, de onde provém, evoluiu de dança para canção solista, na forma de um sambinha em frase regular e repetida por vezes. No Crato CE, chula é apenas um canto, algo como uma embolada, ao som do qual as mulheres dançam sambas.

Em São Paulo, a chula foi registrada como dança de fandango: os pares não se enlaçam nem se tocam, o cavalheiro fica chulando diante de sua dama, que requebra enquanto ele se contorce até encostar os joelhos no chão.

A chula-canção, nos exemplos conhecidos, apresenta a alternância do ritmo sincopado afro-brasileiro, com séries de valores iguais (geralmente semicolcheias), muitas vezes construídas sobre um único som. Ainda é freqüente apresentar alguns desenhos melódicos nitidamente portugueses, lembrando sua origem.

É acompanhada por violões, e a chula-dança, por violão, cavaquinho, viola, pandeiros, castanholas ou imitação delas com os dedos. Alguns autores incluem ainda, no instrumental, o ganzá e o caxambu.

A chula no Rio Grande

A chula caracteriza-se pela agilidade do sapateio do peão ou de diversos peões, em disputas. A masculinidade da dança, num desempenho solitário, sapateando sobre uma lança estendida no salão, retrata a imponência do peão, forjada pelas intempéries das campanhas e a coragem das lutas, na guarda de seu chão.

A chula serviu de verdadeiro tira-teima, entre peões, nas tropeadas de mulas e cavalos da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul para São Paulo. Tudo era decidido na agilidade dos sapateios, sob a expectativa dos companheiros.

Fontes: http://www.guapos.com.br/mx/manchete.php?idmanchete=54 in "Porto Alegre: Martins Livreiro Editor, 1989; Enciclopédia da Música Brasileira.

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