sábado, 2 de julho de 2011

Guerreiros

Guerreiros é uma dança dramática ou folguedo de Alagoas. Pode ser considerada versão local do bumba-meu-boi, pois apresenta peças e figuras semelhantes às de uma série de reisados. A isso foi agregado, na parte inicial, um episódio fundado numa tradição ibérica e em reminiscências ameríndias.

É um folguedo que parece ter nascido por volta de 1930. Ocorre na mesma época que os reisados e é divisível em oito partes distintas, não interligadas, cada uma com assunto completo. A maioria dos episódios tem apenas um personagem. É ele quem canta, alternando com o coro e com o mestre.

A primeira parte mistura reminiscências de lutas entre cristãos e mouros numa briga entre caboclos (índios) e guerreiros. As sete partes restantes apresentam os seguintes personagens, cantando e dançando: estrela-d’alva, borboleta, sereia, Mateus e capitão-do-campo (que lutam), Lira (que é assassinada pelos caboclos) e o boi — o mesmo do bumba-meu-boi, revivida aqui apenas a passagem de sua morte e ressurreição.

Luís da Câmara Cascudo refere-se ainda a personagens como rei, rainha dos guerreiros e rainha da nação, primeiro e segundo embaixadores, o índio Peri, dois palhaços, damas etc. Descreve também as vestimentas: chapéus imitando catedrais, coroas, tiaras com miçangas, fitas prateadas e outros enfeites. Diz esse autor que “a coreografia é pobre, e os instrumentos constavam apenas de sanfonas (uma para cada grupo) e vários pandeiros”. Segundo sua descrição, havia dois grupos de guerreiros.

Um folguedo dos guerreiros descrito por Artur Ramos apresenta outros personagens, como o rei dos caboclos, dois contraguias, governador, dançador de entremeio e os já descritos antes.


Os filhos guerreiros de Alagoas (por Thereza Dantas)

No estado com um dos maiores repertórios de folguedos e danças populares do Nordeste, Manoel Lourenço e Patrício, mestres de reisado, inventaram uma tradição completamente nova no final da década de 1920. Pinçaram uma figura de cada folguedo – reisado, cabocolinho, pastoril, xangô, presépio, bumba-meu-boi – e assim construíram o guerreiro, auto natalino que é “a síntese da cultura de Alagoas”, segundo o folclorista Ranilson França.

A arte do guerreiro é tão importante no estado que são 80 grupos, como o Leão Devorador, na foto acima. Para manter a tradição das roupas coloridas, dos chapéus na forma de igrejas e palácios, e das cantorias religiosas, os laços familiares desempenham papel fundamental.

“Meu pai me levava às apresentações nas praças desde os quatro anos de idade”, diz o menino Claudevan Mendonça de Amorim, 13 anos, que atua no guerreiro Mensageiros de Padre Cícero, liderado por seu pai, mestre Venâncio. Além de ser o Palhaço do grupo, o menino também toca tambor, mostrando sua versatilidade e a ambição de se tornar mestre. A meta é seguir o exemplo de mestre Benon, do guerreiro Treme Terra de Alagoas, um dos mais antigos.

Ele começou aos oito anos de idade, e também aprendeu com o pai todos os episódios e personagens do auto. Essa, a importância do mestre: dentre os mais de 30 brincantes de um guerreiro, talvez ele seja o único a saber a função e a significação de cada um no meio da festa.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora; Revista Raiz.

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