quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dança dramática

A "dança dramática" é uma expressão criada por Mário de Andrade para designar os bailados coletivos que obedecem a tema tradicional e caracterizador, respeitando o principio formal de suíte (seqüência de motivos), podendo incluir ou não trechos de representação dramática. 

A partir de 1947, os folcloristas brasileiros adotaram as palavras folguedo e auto para designar essas manifestações. O próprio povo não possui nome genérico que englobe todos esses bailados; as denominações populares mais gerais permitem apenas a divisão de alguns deles em três grupos: 

1) bailes pastoris, manifestações de caráter burguês e de origem semi-erudita, comemorando o Natal; 

2) cheganças, celebração das aventuras marítimas portuguesas e das batalhas entre cristãos e mouros; e 

3) reisados, manifestações de inspiração variada, cada um apresentado em um ato, a seqüência terminando sempre com o bumba-meu-boi. 

As danças dramáticas surgiram no Brasil provavelmente em fins do séc. XVIII ou inícios do XIX, atingindo seu apogeu durante o reinado de Pedro II (1840/89). Existem até hoje por quase todo o Brasil. O enredo gira em torno de motivos tradicionais, e a letra, os episódios, a coreografia e a música são criados ou adaptados pelo povo. 

Realizam-s principalmente no Natal e no dia de Reis, embora algumas ocorram durante as festas do Espírito Santo, de São João (junho) e no Carnaval (menos freqüentemente). São encenadas ao ar livre, defronte às casas de pessoas gradas. O fato de essas danças serem apresentadas em datas do calendário religioso católico não significa que elas tenham cunho necessariamente religioso. Ao contrário, versam geralmente assuntos profanos. Suas características misturam tradições ibéricas, africanas e lembranças ameríndias.

Estruturalmente dividem-se num cortejo dançado nas ruas, parte móvel chamada pelo povo de cantigas, e numa embaixada, a parte fixa, representada, à qual também se associam cantos e danças. Não se incluem nessa estrutura o maracatu e as taieiras, que são apenas cortejos, não chegando a constituir autos propriamente ditos. 

As danças dramáticas têm participação quase exclusivamente masculina, o que revela a ausência de intrigas amorosas nessas manifestações. A única exceção é dada pelos pastoris, representados só por mulheres. 

Apesar das suas origens variadas, as danças dramáticas adquiriram no Brasil, através da mestiçagem caráter nacional, sem equivalentes em qualquer parte da Espanha ou de Portugal. A única exceção também são os pastoris, continuadores da tradição ibérica dos vilancicos.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Dança de turcos e cristãos

A Dança de turcos e cristãos é observada durante os festejos da trasladação do Santíssimo Sacramento, da igreja do Rosário para a nova matriz de Vila Rica de Albuquerque (atual Ouro Preto) MG, em maio de 1733.
Acredita-se que tenha sido uma evocação marítima, com 16 figuras de cada lado, incluindo entre os personagens um general e um alferes.

Possivelmente essa dança adquiriu no Brasil novas características, ganhando novos figurantes, constituindo-se em auto, como a chegança, barca, marujada, fandango e a antiga xácara portuguesa Nau Catarineta.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Cutilada

A cutilada é um conjunto folclórico coral e instrumental que participa das festas aos oragos da capelas ou templos.
Típico do alto sertão da Paraíba e Pernambuco, é formado por dois pifes, um maior e outro menor, um zabumba e um tambor, sendo que em Pernambuco há também uma sanfona.

O conjunto comparece ao adro da igreja, executando seu programa vocal e instrumental, com os figurantes em círculo. Os pifes tocam melodias com motivos bastante complicados para as possibilidades do instrumento.

Um desses motivos foi aproveitado em música erudita, na Quarta dança brasileira, para grande orquestra, de José Siqueira.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.