segunda-feira, 9 de maio de 2011

Corta-jaca

Chiquinha compôs Corta-jaca,
e é improvável sua relação com
a já existente dança homônima.
O corta-jaca é uma dança individual, ginástica e solta, de origem discutida. Para alguns procede da Espanha, enquanto outros a consideram criação brasileira.

Caracteriza-se pela movimentação dos pés, sempre muito juntos e quase sem flexão das pernas. Os pés movimentam-se da mesma forma que uma navalha, passando continuadamente sobre um assentador de barbeiro, como no corte da jaca.

Dão a impressão de deslizar, embora se consiga ouvir bem o sapateado, que marca a melodia simultaneamente com o ponteio das violas.

É rápida e difícil, com andamento de alegretto, exigindo perícia e esforço do dançador. O movimento dos braços no corta-jaca não tem nenhuma função específica, além de manter o equilíbrio; é uma dança toda calcada no movimento dos pés.
É ou era dançada na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Também chamado corta-a-jaca, é um dos passos do samba existente na Bahia.

Segundo o Dicionário Aurélio, é um dos passos tradicionais do samba-de-roda, em que o dançarino torce e movimenta o pé como se estivesse cortando a jaca: “— Isto é o tatu, isto é a saramba, isto é o quimbete, isto é a tirana, .... isto é... o corta-jaca, o fandango, o sarrabalho?” (Martins Fontes, A Dança, p. 90). Na gíria de Pernambuco e Alagoas, corta-jaca significa indivíduo bajulador.

Corta-jaca também é o apelido do famoso tango "Gaúcho" (na verdade um maxixe bem sacudido) de autoria da maestrina Chiquinha Gonzaga, que escandalizou o então honorável senador Rui Barbosa pela sua "lascividade".

Conhecido desde 1895, quando foi lançado na opereta-burlesca "Zizinha Maxixe", o tango "Corta-Jaca", cujo título original é "Gaúcho", teve a popularidade redobrada nove anos depois, ao reaparecer na revista Cá e Lá. Comprovam o sucesso as oito gravações que recebeu entre 1904 e 1912 e sua apresentação, em 26.10.1914, numa recepção oficial no Palácio do Catete, então sede do Governo Federal. Na ocasião, foi interpretado pela primeira dama, Sra. Nair de Teffé, fato explorado como escândalo pela oposição.

"Corta-Jaca" ou "Dança do Corta-Jaca", como está classificado em uma de suas edições, é na verdade um maxixe bem sacudido, característica que muito contribuiu para o seu êxito. A fim de ser cantado em Cá e Lá, ganhou letra de Tito Martins e Bandeira de Gouveia, autores da peça ("Ai! Ai! Que bom cortar a jaca / Ai! Sim, meu bem ataca, sem descansar...").

Corta-Jaca (Gaúcho) (tango, 1895) - Chiquinha Gonzaga e Machado Careca

Neste mundo de misérias / quem impera / é quem é mais folgazão. / É quem sabe cortar a jaca / nos requebros / de suprema, perfeição, perfeição.

Ai, ai, como é bom dançar, ai! / Corta-jaca assim, assim, assim / Mexe com o pé! / Ai, ai, tem feitiço tem, ai! / Corta meu benzinho assim, assim!

Esta dança é buliçosa / tão dengosa / que todos querem dançar / Não há ricas baronesas / nem marquesas / que não saibam requebrar, requebrar

Este passo tem feitiço / tal ouriço / Faz qualquer homem coió / Não há velho carrancudo / nem sisudo / que não caia em trololó, trololó.

Quem me vê assim alegre / no Flamengo / por certo se há de render / Não resiste com certeza / este jeito de mexer

Fontes: MPB Cifrantiga; Dicionário Aurélio; Encilopédia da Música Brasileira.

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