sábado, 30 de abril de 2011

Ciranda (3)

A ciranda é uma dança de roda de adultos da Zona da Mata e litoral de Pernambuco.
Em estudo publicado pelo padre Jaime Cavalcanti Diniz, “Ciranda, roda de adultos no folclore pernambucano” (Revista do Departamento de Extensão Cultural e Artística, Recife PE: Secretaria de Educação do Estado, 1960, ano 2, vol. 3), revela-se a presença da ciranda em municípios ligados à agroindústria canavieira.

Segundo esse autor, “é a ciranda roda distinta das ‘cirandinhas infantis”. Distinta pelos cirandeiros que são adultos, pelo repertório poético-musical (de extrema variedade na temática poética e linha musical), pelo instrumental obrigatório — em que nunca falta o bombo — que acompanha a linha ondulante dos cirandeiros, na qual se enlaçam alternadamente homens e mulheres; distinta ainda pelo local escolhido, em geral afastado dos aglomerados urbanos, pela realização noite adentro, ou ainda pela presença do mestre cirandeiro, a quem cabe “tirar as cantigas” (cirandas), improvisar versos e presidir a festa.

Ao soar da caixa, respondida pela marcação do bombo, com o ganzá a marcar o andamento e o instrumento solista (clarineta, saxofone, trompete ou trombone) a estruturar a melodia, surge o mestre cirandeiro, a entoar a melodia principal, no que é respondido pelo coro de dançarinos.

Os circunstantes dão-se as mãos, por vezes os braços, espontaneamente, formando meias-luas soltas no terreiro, para por fim transformar-se em grandes rodas, num balanço contagiante, com seu ondulamento característico, como a imitar as ondas do mar tranqüilo a quebrar-se na areia da praia, enquanto o mestre cirandeiro pontifica no centro da roda grande, junto a um mastro alto encimado por um potente candeeiro ou lanterna.

A partir de 1961, a ciranda tomou conta das festas folclóricas do Recife, sendo de bom-tom o seu dançar. É dessa época o aparecimento de Antônio Baracho, de Abreu e Lima PE, autor de várias peças, dentre as quais a Ciranda de Lia, conhecidas nacionalmente e gravadas, em 1973, pelo Quinteto Violado para Discos Marcus Pereira, em Música popular do Nordeste.

Em 1975, Capiba compôs Minha ciranda, gravada por Lia de Itamaracá e Claudionor Germano no LP Cirandas e, mais recentemente, no CD Capiba — Acervo Funarte (Funarte, Rio de Janeiro, 1997), sendo hoje entoada em todas as rodas de cirandeiros, nas festas juninas e natalinas, no Carnaval e até por conjuntos corais, depois do arranjo publicado por Leonardo Dantas Silva, em Cancioneiro Pernambucano (Recife: Departamento de Cultura; SEC, 1978): “Pra se dançar ciranda / Juntamos mão com mão / Formamos uma roda / Cantando uma canção / Esta ciranda / Não é minha só / É de todos nós / É de todos nós / A melodia principal / Quem tira / É a primeira voz / É a primeira voz". 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

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