sábado, 30 de abril de 2011

Coco

 Coco - 30/3/1938 - Praia de Tambau, João Pessoa (PB) ouvir  ouvir  ouvir  ouvir  ouvir
O coco é uma dança peculiar ao Nordeste e Norte do Brasil, freqüente na zona litorânea, embora tenha surgido no interior, nas usinas açucareiras.
A mais antiga referência sobre a dança, no Brasil, é da segunda metade do século XVIII, quando chegou a ser dança de salão, acompanhada pela cítara. Mário de Andrade considerou-a de “próxima ou remota origem africana”. Seus elementos formadores seriam africanos e ameríndios, apesar de haver quem a considere inteiramente nacional, de remotas origens africanas.

Conhecida também por samba, pagode, zambê e bambelô, consiste numa roda de dançadores e tocadores que giram e batem palmas. Pode ou não haver dançadores solistas. Aparece ainda a umbigada, que pode ser estilizada, e ás vezes os dançadores agitam um ganzá. 

A música inicia-se com um tirador-de-coco, ou coqueiro, entoando versos, respondidos pelo coro. A forma dos cocos é em estrofe-refrão, obedecendo em geral aos compassos 2/4 ou 4/4. Há um certo tipo de coco, mais lento e lírico, englobável no gênero das canções, e que recebe vários nomes, conforme seu processo poético: coco-de- oitava, coco-em-dois-pés, coco-de-décima, cocoagalopado, coco-desafio etc. 

Uma das formas mais conhecidas é o coco-de-embolada, pois na estrofe há a presença da embolada, que, como definiu Mário de Andrade, “é um processo rítmico-melódico de formar a estrofe em determinadas peças nordestinas, coreográficas ou não”. Há ainda uma divisão dos cocos em três tipos, feita pelo povo nordestino: coco-de-praia, coco-de-sertão e coco-de-roda. Tal divisão parece apenas nominal, não obedecendo a critérios formais ou geográficos, pois se encontram cocos-de-praia no interior. 

Em Alagoas, até há pouco pelo menos, era dançado em pares enlaçados, como dança social, recebendo também os nomes de samba e pagode. Nos outros Estados, o coco pode tomar o nome do instrumento que o acompanha: coco-de-zambê, coco-de-ganzá, cocode-mungonguê. 

No Ceará registram-se duas variantes: o coco-gavião e o coco-bingolê, adjetivações tomadas ao refrão final, pois no primeiro cantam “o gavião peneirô-ê”, e, no segundo, “bingolê-ô, bingolê-á”, não existindo quase nenhuma diferença entre as respectivas coreografias.

Outras variantes ou formas de coco:

Coco-agalopado s.m. Forma de coco cujo processo poético é o do galope.
Coco-bingolê s.m. Variante de coco registrada no Ceará.
Coco-catolé s.m. O mesmo que catulé. 
Coco-de-décima s.m. Forma de coco cujo processo poético é em décima.
Coco-de-embolada s.m. Coco de processo poético e musical idêntico ao da embolada.
Coco-de-ganzá s.m. Coco dançado ao ritmo do ganzá.
Coco-de-mungonguê s.m. Coco dançado ao ritmo do mungonguê.
Coco-de-oitava s.m. Forma de coco cujo processo poético é em oitava.
Coco-de-praia s.m. Tipo de coco.
Coco-de-roda s.m. Tipo de coco.
Coco-desafio s.m. Forma de coco cujo processo poético é o mesmo do desafio.
Coco-de-sertão s.m. Tipo de coco.
Coco-de-zambê s.m. Coco dançado ao som do zambê’. O mesmo que bambelô.
Coco-em-dois-pés s.m. Forma de coco cujo processo poético é em versos de dois pés.
Coco-gavião s.m. Variante de coco registrada no Ceará. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira; Missão de Pesquisas Folclóricas (http://www.sescsp.org.br/sesc/hotsites/missao)

Nenhum comentário:

Postar um comentário