quinta-feira, 28 de abril de 2011

Chegança

A chegança é um dos mais antigos bailados folclóricos brasileiros, levado a efeito geralmente ao ar livre. O termo provém talvez da dança homônima portuguesa do século XVIII.
Outra hipótese considera-o originário de palavras náuticas como chegar (dobrar as velas à chegada do navio) e chegada (abordagem), “que por virem da mesma raiz de chegança fizeram com que, por etimologia popular, o nome desta dança pura passasse a bailado” (Mário de Andrade).

O termo designa danças dramáticas do chamado ciclo de Natal, que vai de dezembro até o dia de Reis (6 de Janeiro), podendo realizar-se também no Carnaval e no dia de São João (24 de junho).

Baseadas em tradições exclusivamente ibéricas, celebram fatos trágicos e heróicos do povo português. Quando têm o nome de chegança-de-mouros (ou simplesmente chegança), apresentam como tema as lutas contra os mouros.

Já a chegança-de-marujos, também denominada marujada (Minas Gerais, São Paulo), fangango (Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Maranhão, Amazônia, Ceará), nau-catarineta (Paraíba), marujos (Bahia, Sergipe), barca (Paraíba), narra histórias de navegação igualmente centradas nas lutas contra os mouros, só que tratadas de modo diverso do da chegança-de-mouros.

Essa distinção é apenas formal, pois na prática ambos os tipos se confundem. Melo Morais Filho afirma que as cheganças podem ser de mulheres, sugerindo assim que em geral elas são ou eram dançadas apenas por homens.

Como instrumentos utilizados, o mesmo autor aponta flautins, botija, viola, chocalhos, tambores, gaitas-de-foles, “além de alguns outros que inesperadamente se metiam de permeio”.

Na chegança-de-mouros o conjunto é reforçado por metais e caixas-de-guerra. Menciona-se uma barca paraibana, onde o acompanhamento era feito por pequena orquestra de cordas. Luís da Câmara Cascudo refere- se a pandeiros e percussão (Maceió AL), caixa e um pequeno bombo (Rio Grande do Norte, Ceará).

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

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