domingo, 1 de setembro de 2013

Cantos do berço


Os cantos do berço ou cantigas de ninar são melopeias monótonas, embriagadoras, com as quais a doce figura da avozinha e a da nossa mãe preta embalavam as crianças das novas gerações. Acompanham essas músicas doces e simples, poesias ou letras, inverossímeis umas, apavorantes outras, com as quais se procurava embalar os dóceis e amedrontar os rebeldes. Quem não teve a felicidade de ouvir a voz da vovozinha docemente, cantarolar em surdina?

Acordei de madrugada
Fui varrer a Conceição
Encontrei Nossa Senhora
Com seu raminho na mão.

Pedi-lhe o raminho
Ela me disse que não
Tornei-lhe a pedir
Ela me deu seu cordão.

Santo Antonio e São João
Desatai esse cordão
Que me deu Nossa Senhora
Com suas bentas mãos.

E a criança adormecia feliz entre nuvens e sonhos angelicais. Às vezes a babá, negra velha que já acalentara os moços de duas gerações, ninava o "netinho branco", travesso e irrequieto, e na sua ignorância, procurava acalmá-lo com uma toada triste, monótona, a qual adaptava quadrinhas anônimas como esta:

Tutu Marambaia
Não venha mais cá,
Que o pai do menino
Te manda matá.

Em outros lares a mulatinha pernóstica e sapeca, louca por uma conversa com o namorado, apavorava o garoto cantando, nervosa, mais ou menos com a mesma toada:

Lu-lu-lu-lu
De trás do Murundú
Papai com mamãe
Que te comam com angu.

Era a lembrança do gentio antropófago que se firmara no subconsciente do povo.

A música de quase todos esses cantos é mais ou menos a mesma com ligeiras modificações: uma frase musical que termina ascendente ou descendente, de ritmo lento, preguiçoso, arrastado. Há também toadas simples, mas com outras variações, uma frase absurda ora exclamativa ora interrogativa firmada por um refrão que se cinge a uma só palavra até, como neste caso:

Vamos detrás da serra
Calunga!
Ver a mulatinha
Calunga!
Da cara queimada
Calunga!
Quem foi que queimou?
Calunga!
Foi minha Senhora!
Calunga!
Por causa de quê
Calunga!
Por causa do peixe-frito
Calunga!
etc. etc.

E por aí segue a cantiga em perguntas e respostas de sentido desconexo. Alguns compositores utilizam-se de motivos populares para comporem canções encantadoras. Sapo Cururú é uma linda cantiga de Heckel Tavares com letra de Olegário Mariano.

"Sapo Cururu
Na beira do rio
Quando o sapo canta, maninha
Diz que está com frio..."

Na casa grande do engenho
Preta véia tá cantando
Prá sinhozinho drumi
Sarta o bacurao na estrada
E a lua entra na ginela
Parece que vem ouvi.

Preta véia então se alembra
Da vida que ali viveu
Deu o peito a Sinhô-Moço
E na rede de seus braço
Seu Sinhô-Moço cresceu.

Hoje cria Sinhozinho
Branquinho que nem jasmim
Tem sempre os óinho aberto
Só drome quando se canta
Preta véia canta assim:

Sapo Cururu
Na beira do rio
Quando o sapo canta, maninha
Cururu tem frio...

Na casa grande de engenho
Preta véia tá cantando
Pra Sinhozinho drumi...

Mas essas cantigas embora belíssimas, não tem o delicioso sabor das originais que lhes deram o motivo, nem tão pouco servem para ninar as crianças. São interpretadas, às vezes, com muita sinceridade, por artistas queridos nas estações de rádio ou nos recitais de arte.

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Fonte: Música Popular Brasileira - Mariza - Jornal do Brasil, de 24/01/1937; Ilustração extraída da revista "O Malho", de 1903.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Eros Volúsia

Eros Volúsia (Heros Volúsia Machado), dançarina e atriz, nasceu em São Cristóvão, bairro do Rio de Janeiro, em 01/06/1914, e faleceu na mesma cidade, em 01/01/2004. Filha do poeta Rodolfo Machado e da poetisa Gilka Machado, seus avós maternos também possuíam habilidades artísticas: o avô, Hortênsio da Gama Sousa Melo, era um poeta. Sua avó Teresa Cristina Muniz, era atriz de rádio e teatro.

Bailarina que uniu balé clássico e ritmos brasileiros nos anos 30 e 40, Eros inspirava-se na natureza e na cultura do país, imprimindo na dança, de maneira pioneira, traços das raízes nacionais.

Eros Volúsia num musical em 1937
Levou pela primeira vez ao palco do Teatro Municipal do Rio, nos anos 30, um bailado de contorno popular. Fez tanto sucesso e era tão bonita que atraiu a atenção da revista americana "Life", tendo sido capa da edição de 22 de setembro de 1941. Até hoje, foi a única sul-americana a estampar a primeira página da conceituada publicação americana. A reportagem rendeu-lhe um convite da Metro Goldwyn Meyer, aceito por ela, para participar de uma comédia da dupla Abbot e Costello, "Rio Rita", de 1942.

sábado, 30 de julho de 2011

Mono

O mono é uma dança do fandango de São Paulo. São oito pares dispostos em fileiras fronteiras, alternando-se um homem e uma mulher, em cada fileira, sem se enlaçarem.

Durante o canto, valsando e balanceando, os pares trocam e destrocam de posição.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 1998 - 2aq. Edição.

Monada

A monada é uma dança do fandango valsado de São Paulo, semelhante ao enfiado.

Foi presenciada por Alceu Maynard Araújo, em 1947, no município de Xiririca (atual Eldorado Paulista) SP.

Supõe-se que a palavra é de origem espanhola, significando “rica”, “preciosa”.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo - 2a. Edição - 1998.

Modinha

A modinha é uma canção lírica, sentimental, derivada da moda portuguesa. Nos fins do século XVIII, em Portugal, a palavra moda tomou sentido genérico e com ela se designavam árias, cantigas ou romances de salão.

A voga que essa música vocal de salão adquiriu no reinado de Maria I se traduziu no trocadilho que se tornou de uso comum entre cronistas da época, “era moda, na corte de Maria I, cantar a moda”, cujos autores eram músicos de escola formados na Itália: João de Sousa Carvalho, Leal Moreira e Marcos Portugal

Quebrando o formalismo dessas modas cortesãs, surgiu nos serenins dos palácios de Bemposta, de Belém ou de Queluz, Portugal, a figura do brasileiro Domingos Caldas Barbosa (?1740—1800), poeta e tocador de viola. Protegido dos marqueses de Castelo Melhor, Caldas Barbosa, o Lereno da Nova Arcádia, sofreu a reação violenta dos poetas e escritores portugueses da época, principalmente Bocage, Filinto Elísio e Antônio Ribeiro dos Santos, que chegou a considerar sua presença como indício da dissolução dos costumes da corte portuguesa.

Moda-de-viola

A moda de viola é uma expressão da música rural brasileira que se destaca como sendo seu maior exemplo, entre outros ritmos e estilos formados a partir das toadas, cantigas, viras, canas-verdes, valsinhas e modinhas, união de influências européias, ameríndias e africanas.

Com uma estrutura que admite solos de viola e versos longos, intercalados por refrões, com letras extensas e que contam fatos históricos bem como acontecimentos marcantes da vida das comunidades onde são feitas, as modas de viola ganham vida independente do catira. 

A métrica geralmente é de sete sílabas (redondilha maior), aparecendo por vezes a de cinco sílabas (redondilha menor).

Deu origem a vários outros ritmos como a música caipira, música sertaneja, música de raiz, dentre outras.

Vários compositores, como os paulistas Teddy Vieira (da cidade de Itapetininga) e Lourival dos Santos (da cidade de Guaratinguetá), ambos falecidos e que foram bastante ativos entre os anos 50 e 60, se esmeraram neste gênero musical.

Nos dias atuais, os mineiros Zé Mulato & Cassiano estão entre os bons compositores e cantadores de modas de viola.

Fonte: Wikipédia.

Moda

A "moda" é uma palavra que em Portugal e no Brasil tem o significado genérico de canto, melodia ou música. Também designa no Brasil um tipo de canção rural, a moda-de-viola, ao que parece limitado aos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Rio de Janeiro.

Pela natureza dos seus textos, em maioria absoluta as modas são legítimos romances, narrativas de fatos que impressionam a imaginação popular, casos de todo gênero, descrição satírica de costumes, histórias divertidas de bichos. Mais raramente, são líricas e amorosas.

Há também modas de um tipo que quase se poderia chamar surrealista, absolutamente desinteressadas da inteligibilidade lógica. A estas os caipiras dão o nome de moda-de-patacoada, isto é, de absurdo, de tolice.

Moçambique

Moçambique no Vale do Paraíba, São Paulo - 1991
O moçambique é uma dança dramática ou folguedo de origem negra e de assunto guerreiro. Tem coreografia bastante parecida com a das danças de combate das congadas.

O moçambique ocorre em São Paulo por ocasião das festas do Divino Espírito Santo, e em Goiás e Minas Gerais nas festas de Nossa Senhora do Rosário.

Rossini Tavares de Lima assinala que em São Paulo o folguedo aparece em qualquer época — geralmente nas grandes festas das cidades em cujos arredores se encontrem “companhias” (nome dos conjuntos). Em Taubaté e Aparecida do Norte SP, assiste- se a essa dança dramática aos sábados à noite e aos domingos. A autoridade principal é o mestre: dirige a música, a dança e zela pela moral do terno. É quem faz escolha dos personagens, que podem ser: rei, rainha ou princesa, general, capitão, contramestre, meirinho, capitão de linha, capitão de tiro e vida ou pontal.

Miudinho

O miudinho é uma dança dos salões aristocráticos do tempo da Regência, e mais tarde passada aos salões populares, já então com coreografia de par enlaçado.

Depõe Renato Almeida: “O miudinho é dança e um dos passos dos sambas. Eu mesmo tive ocasião de ver, na Bahia, as mulheres o dançarem em sambas-de-roda, de modo prodigioso. Avançam como se fossem bonecos de mola, com o corpo imóvel e um movimento quase imperceptível de pés, num ritmo rápido e sempre igual”.

Segundo Luís da Câmara Cascudo, “o miudinho era espécie de maxixe, já citado em 1832”.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Mineiro-pau

Mineiro-pau é uma dança de roda, uma das mais populares danças de pares soltos no Nordeste e  Cen tro do Brasil.

Assemelha-se à cana-verde (pelas virasdas de um lado para o outro), ao cateretê (pelo ritmo marcado com palmas) e ao batuque (pela menção das umbigadas).

Os participantes cantam em coro quadrinhas de qualquer assunto, intercalando cada verso com o estribilho: "Mineiro-pau! Mineiro-pau!".



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Milindô

Coco de roda - Alagoas
O milindô é uma dança de roda do gênero coco, de pares femininos, provavelmente originária de Alagoas, na espécie de coco-de-roda, é comum no Crato e na região do Cariri CE, onde teria recebido denominação local.

Diferentemente do que ocorre no coco, em que só há um tirador de versos (tirador-de-coco), cada componente do milindô pode tirar versos, de sua própria composição ou de qualquer cantador popular. Os pares dispõem-se em círculo e, durante o estribilho (em coro), soltam-se da roda em movimento e dão uma volta completa. Então os pares podem ser trocados, mas sempre com os vizinhos, para não perturbarem a harmonia do folguedo.

Mestre-de-capela

Marcos Portugal, nomeado por D. João
mestre-de-capela (Rio de Janeiro, 1811)
O "mestre-de-capela" (italiano: maestro di cappella; francês: maître de chapelle) é o regente, o diretor da música de uma igreja, capela ou outro estabelecimento musical sacro ou profano, dispondo de um coro, orquestra, ou ambos. 

Na Alemanha, o termo é mais aplicado com referência ao diretor de uma orquestra particular de um príncipe ou outros grandes personagens. Nos países latinos, como o Brasil, o termo conservou-se até hoje vinculado ao sentido eclesiástico, correspondendo à capela de música de uma catedral ou igreja.

Meia-canha

Postam-se homens e mulheres em círculo a rodar. Sua principal característica é a troca de versos.
A meia-canha é uma dança e canto do fandango do Rio Grande do Sul. De origem ibérica, aí chegou proveniente da região do Prata.

Para a escolha dos participantes, um moço acena com um lenço, convidando uma parceira, que faz o mesmo sinal para outro rapaz, e assim por diante, até que estejam reunidos os pares. Ao som de uma polca forma-se uma roda, e um rapaz vai para o centro, tirando uma das moças. Sempre dançando, a roda gira em sentido contrário ao do par central. Depois de muitas negativas e requebros, o dançarino que está no centro ordena a parada da música e, de frente para sua dama, recita uma quadra que é respondida por ela. Recomeça a música, o par volta a dançar e em seguida a moça leva o rapaz até seu lugar na roda. Convida então outro moço e repetem-se os cantos e danças.

Maxixe

O maxixe é uma dança urbana surgida nos forrós da Cidade Nova e nos cabarés da Lapa, no Rio de Janeiro RJ, por volta de 1875. Estendendo-se aos clubes camavalescos e aos palcos dos teatros de revista, enriqueceu-se com grande variedade de passas e figurações: parafuso, saca-rolha, balão, carrapeta, corta-capim etc. Dançado inicialmente ao ritmo de tango, havaneira, polca ou lundu, só nos fins do séc. XIX as casas editoras o consideraram um gênero musical, imprimindo as músicas com essa qualificação.

Primeira dança genuinamente brasileira, do ponto de vista musical resultou da fusão do tango e da havaneira pela rítmica, da polca pela andadura, com adaptação da síncopa afro-lusitana (Mário de Andrade). Conhecido como a “dança proibida”, era dançado em locais mal-vistos pela sociedade como as gafieiras da época que eram freqüentadas também por homens da sociedade, em busca de diversão com mulheres de classes sociais menos favorecidas. Considerado imoral aos bons costumes da época, além da forma supostamente sensual como seus movimentos eram executados, o maxixe foi perseguido pela Igreja, pela polícia, pelos educadores e chefes de família.

Matungo

Em 1826 Debret retrata um tocador de berimbau em "Joueur d'Uruncungo"

O matungo é um instrumento folclórico de origem africana. É uma cuia com ponteiros de ferro.

Também é conhecida como mutungo. Matungo e mutungo também designam o urucungo.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Marujo

O marujo é uma dança do fandango rufado de São Paulo, semelhante ao recortado. 

Os versos fazem menção a algum naufrágio, uma vez que o marujo "Não tem nada de seu, / apenas uma camisa velha / que o piloto lhe deu". Esse aspecto pode filiar a dança, hipoteticamente, à nau-catarineta. O canto é de tom lamuriento.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Marrá-paiá

O marrá-paiá é uma designação dos grupos de moçambique em Parati RJ. O nome deriva de paiá, guizo amarrado por cintas de couro às pernas dos dançadores.

Durante as festas do Divino, de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito, costuma ocorrer a vinda de grupos de dançadores de marrá-paiá da cidade de Cunha SP, para abrilhantarem os festejos em Parati.

Já entre os moçambiqueiros do vale do Paraíba, marrá-paiá é o nome da primeira cantoria da dança, feita por um cantor-solista e ouvida em silêncio pelos figurantes, que permanecem imóveis, com os palás nas mãos. Depois, o mesmo canto é repetido em coro, enquanto os paiás são atados abaixo dos joelhos e a dança tem início.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

Marrafa

A marrafa é uma dança do fandango de Parati RJ e do litoral paulista (Ubatuba, Cananéia, Itanhaém e llhabela).

São formadas duas rodas concêntricas, ficando as mulheres na interna e os homens na externa. As mulheres movimentam-se no sentido dos ponteiros do relógio, e os homens, ao contrário. A um sinal dos violeiros, os pares se defrontam.

As mulheres praticamente não saem do lugar, limitando-se a dar um passo muito pequeno para a direita. O cavalheiro balanceia com uma dama e depois desloca-se à direita, para balancear com outra. Esse passo é dado exatamente no momento em que o violeiro canta “Quebra na marrafa / quebra na marrafa”. O balanceio é feito sem que os pares se dêem as mãos.

A dança, que dura muito tempo, não tem palmeado nem sapateado. Pelo fato de estarem sempre rodando, os cavalheiros dançam várias vezes com a mesma dama. De vez em quando o violeiro faz uma brincadeira, que consiste em mandar quebrar a marrafa repetidamente.

Mariquita

A mariquita é uma dança do fandango, de existência provável no Rio Grande do Sul.

Não há maiores informações bibliográficas.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Marimba

A marimba é um instrumento folclórico de percussão, idiofone, também chamado marimbau. De origem africana, é formado por várias placas de madeira de tamanhos diferentes, como um xilofone, e tocado com duas baquetas.

Tem como ressoadores cabaças proporcionais ao tamanho das placas. Até o século XIX foi bastante popular no Brasil, estando, hoje em dia, praticamente em desuso, com referências ao seu emprego apenas nas congadas paulistas de São Sebastião, Ilhabela e Caraguatatuba.

Marimba e marimbau também designam o cordofone urucungo, em Belém PA. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora